Tuesday, September 1, 2009

de vez em quando vem à memória ...

«Um índio que fosse tão ruim como os homens brancos não poderia viver na nossa nação; seria morto e [...] devorado pelos lobos. Os brancos são péssimos mestres-escola; a sua aparência engana e os seus actos são falsos; sorriem na cara dos pobres índios só para burlarem; dão-lhes um aperto de mão para ganharem confiança, para os embebedarem e iludirem e para desgraçarem as nossas esposas. Dissemos-lhe que nos deixasse; mas eles continuaram, assediando os nossos caminhos, serpenteando entre nós como as cobras. Envenenaram-nos com o seu contacto. Com eles, não ficávamos a salvo. Vivíamos em perigo. Estávamos a tornar-nos como eles, hipócritas e impostores, adúlteros, parasitas, gabarolas, ociosos.»
Fala de Falcão Negro, 1832
FORBES, Jack D. - Colombo e outros canibais. Lisboa: Antígona, 1998.ISBN 972-608-094-0.



6 comments:

Memória de Elefante said...

Uma grande verdade...tudo lhes foi tirado e eles ali permanecem lutando pelo amor que alimenta um sonho.
Abraço

Rafeiro Perfumado said...

Mas os americanos agora tentam redimir-se, devolvendo a "liberdade" a outros povos. Esquecem-se é do seu...

Beijoca!

Escarlate.Terzo said...

Conheces a célebre carta do Chefe Seattle?...

Vou tentar transpô-la... em bocadinhos...

Escarlate.Terzo said...

RESPOSTA DO CHEFE SEATTLE AO PRESIDENTE DOS ESTADOS UNIDOS -1854
Como é que se pode comprar ou vender o céu, o calor da terra?
Essa ideia parece-nos estranha.
Se não possuímos o frescor do ar e o brilho da água, como é possível comprá-los?
Cada pedaço desta terra é sagrado para meu povo.
Cada ramo brilhante de um pinheiro,
cada punhado de areia das praias, a penumbra na floresta densa,
cada clareira e insecto a zumbir são sagrados na memória e experiência de meu povo.
A seiva que percorre o corpo das árvores, carrega consigo as lembranças do homem vermelho.
Os mortos do homem branco esquecem sua terra de origem quando vão caminhar entre as estrelas.
Nossos mortos jamais esquecem esta bela terra, pois é a mãe do homem vermelho.
Somos parte da terra e ela faz parte de nós.
As flores perfumadas são nossas irmãs, o cervo, o cavalo, a grande águia são nossos irmãos.
Os picos rochosos, os sulcos húmidos nas campinas, o calor do corpo do potro e o homem - todos pertencem à mesma família.
Portanto, quando o Grande Chefe em Washington manda dizer que deseja comprar nossa terra, pede muito de nós.
O Grande Chefe diz que nos reservará um lugar onde possamos viver satisfeitos.
Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos.
Portanto, nós vamos considerar sua oferta de comprar nossa terra. Mas isso não será fácil.
Esta terra é sagrada para nós.

Escarlate.Terzo said...

Essa água brilhante que escorre nos riachos e rios não é apenas água, mas o sangue de nossos antepassados.
Se lhes vendermos a terra, vocês devem lembrar-se de que ela é sagrada, e devem ensinar às suas crianças que ela é sagrada e que cada reflexo nas águas límpidas dos lagos fala de acontecimentos e lembranças da vida de meu povo.
O murmúrio das águas é a voz de meus ancestrais.
Os rios são nossos irmãos, saciam nossa sede.
Os rios carregam nossas canoas e alimentam nossas crianças.
Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem lembrar e ensinar a seus filhos que os rios são nosso irmãos, e seus também.
E, portanto, vocês devem dar aos rios a bondade que dedicarem a qualquer irmão.
Sabemos que o homem branco não compreende nossos costumes.
Uma porção de terra para ele, tem o mesmo significado que qualquer outra coisa, pois é um forasteiro que vem à noite e extrai da terra, aquilo que necessita.
A terra não é sua irmã, mas sua inimiga e, quando ele a conquista, prossegue seu caminho. Deixa para trás os túmulos de seus antepassados e não se incomoda.
Arranca da terra aquilo que seria de seus filhos e netos.
A sepultura de seu pai e os direitos de seus filhos são esquecidos.
Trata a sua mãe, a terra, e seu irmão, o céu, como coisas que possam ser compradas, saqueadas, vendidas como carneiros ou enfeites coloridos. Seu apetite devorará a terra, deixando somente um deserto.
Eu não sei, os nossos costumes são diferentes dos seus.
A visão de suas cidades fere os olhos do homem vermelho.
Talvez seja porque o homem vermelho é um selvagem e não compreenda.
Não há um lugar quieto nas cidades do homem branco.
Nenhum lugar onde se possa ouvir o desabrochar das folhas na primavera ou o bater das asas de um insecto.
Mas talvez seja porque eu sou um selvagem e não compreendo.
O ruído parece somente insultar os ouvidos.

EJSantos said...

Tudo muito politicamente correto. Muito bonito...
Só é pena eu não acreditar no bom selvagem. MAs pronto, estou só a desconversar.