Thursday, January 18, 2007

EDUARDA, outra GRANDE PORTUGUESA

O telefone tocou às 9,50.Era urgente diziam.Logo agora que se preparava para uma reunião onde o patrão já a esperava.Era da polícia, questionavam sobre a propriedade de um carro.Sim estava em seu nome, embora fosse conduzido pelo companheiro.Tentavam prepará-la para o pior.O acidente em Portimão tinha sido grave,ele estava ainda dentro do veiculo praticamente desfeito.Ela em Coimbra à entrada para a reunião e o mundo num caos dentro da sua cabeça. Mas os seus problemas não interessavam ao seu chefe e ela tinha compromissos laborais.A reunião terminou as 4 da tarde e ela rematou dizendo: o meu trabalho está feito! Bateu com a porta e saiu.
Chegou ao hospital de Portimão às 8 da noite.O companheiro continuava à espera de ser visto por um médico, num corredor com mais duas dezenas de vitimas em fila.Nem o reconheceu quando olhou, o sangue desfigurava-lhe o rosto, mas ele viu-a e chamou por ela.... e a revolta também!
Telefonou a um velho amigo.O Professor Almeida Santos director dos H.U.C., explicou-lhe o sucedido e tentou saber da possibilidade duma tranferência o mais rápido possivel para Coimbra.No hospital de Portimão o médico que por fim o viu, mandou fazer um RX,detectou algumas costelas partidas e deu como certeza uma imediata recuperação.Saíria com alta dentro de 2 dias.Mas Eduarda não se conformou com o diagnóstico.Sugeriu que fosse feito um TAC disseram-lhe que não. Pediu uma tranferência do doente para os hospitais Coimbra.
Às 8h da manha do dia seguinte, o companheiro segue de ambulância para os H.U.C. ela acompanha atrás no seu carro; 3,25 h foi o tempo que levaram a percorrer desde o hospital de Portimão ao hospital de Coimbra sem qualquer paragem.Perdão, houve uma paragem para o doente vomitar, pois estava a sentir-se mal. As contas fazem-se bem, cerca de 500 Km em 3,25 h a média dá qualquer coisa como 170 Km/hora...
Quando chegou aos H.U.C. tinha à sua espera uma equipa que já sabia do sucedido e que lhe prestou os cuidados que eram necessários. Hoje passados 5 dias o companheiro continua nos cuidados intensivos, ligado a todas as máquinas necessárias, mas a esperança de se salvar é muito grande. Tinha um pulmão perfurado,o baço rasgado( onde ainda tem um tubo a drenar o sangue) , clavícula partida entre outros problemas.No entanto no hospital de Portimão diziam-lhe que teria alta dentro de 2 dias e que apenas tinha umas costelas partidas... é a vergonha do Serviço Nacional de Saúde que temos neste país. Às vezes questionamo-nos quais são os juramentos e votos que os médicos fazem actualmente no final do curso...
Daqui mandamos também uma força muito grande ao Paul , acreditando piamente de que, quem tem uma "estrela da sorte" chamada Eduarda, ultrapassa com toda a certeza mais este desafio que a vida lhe lançou !
E para esta GRANDE MULHER, os nossos votos para que a força para levar avante a tarefa de viver e lutar pelo que acredita, nunca a abandone !

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